O movimento Novembro Azul colocou o câncer de próstata no centro do debate sobre saúde masculina. E com razão: só em 2024, o Brasil registrou mais de 71 mil novos casos da doença, o que a torna o tipo de câncer mais comum entre os homens (excluindo pele não melanoma).
Mas o dado mais alarmante vem depois: 48 homens morrem todos os dias por câncer de próstata no país. E isso, infelizmente, acontece apesar de sabermos que até 98% dos casos localizados são curáveis com diagnóstico precoce.
Então por que essa conta não fecha?
A resposta pode estar no silêncio
Por trás desses números, existe um padrão perigoso: muitos homens ainda resistem a cuidar da própria saúde, principalmente quando estão assintomáticos. Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) revelou que 62% só procuram ajuda médica quando sentem um sintoma insuportável, o que costuma significar que o problema já está avançado.
E o câncer não é o único risco. Outros tumores com alta incidência entre homens, como os de intestino, pulmão, cabeça e pescoço, fígado, também podem ser prevenidos ou tratados com mais chances de sucesso quando identificados precocemente. Mas o comportamento de evitar o cuidado funciona como um fio condutor para todos eles.
Por que tantos homens resistem?
Esse comportamento de evitar o médico não é apenas individual. É cultural. A ideia de que “homem tem que ser forte”, de que “reclamar é fraqueza”, ainda faz com que muitos ignorem sinais do corpo, ou tenham vergonha de pedir ajuda.
Segundo a Fiocruz, até o ato de ir a uma consulta pode ser percebido por muitos como um risco à própria masculinidade. E essa barreira simbólica se traduz em consequências reais, como diagnósticos tardios e altos índices de mortalidade.
O papel das famílias e da rede de apoio
Aqui, as mulheres cumprem um papel crucial. Estudos mostram que a presença da parceira muitas vezes é o que leva o homem ao consultório — seja marcando a consulta, seja encorajando verbalmente. Em muitos casos, ela é quem consegue verbalizar os sintomas que o homem preferiria esconder.
Novembro Azul: não é só sobre próstata. É sobre presença.
A campanha Novembro Azul é poderosa. Mas precisa acompanhar a complexidade da saúde masculina de forma mais ampla.
Falar sobre câncer de próstata salva vidas.
Mas falar sobre silêncio, medo, prevenção e cuidado integral também salva.
Este mês pode ser mais do que um lembrete para fazer o PSA, pode ser o ponto de partida para um novo pacto com a própria saúde.
Vamos quebrar esse ciclo?
Se cuidar é presença, não fraqueza
Se você é homem, saiba que pedir ajuda não é sinal de fraqueza.
É sinal de maturidade. De coragem. De cuidado com quem está ao seu lado.
E se você é alguém próximo: pai, mãe, filha, parceiro(a), saiba que sua palavra pode ser o empurrão necessário para alguém buscar ajuda a tempo.
Neste Novembro Azul, não mude o foco.
Amplie.
